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Mostrando postagens de maio, 2014

A construção dos BRICS

Reza a lenda que o falecido Sr. Roberto Marinho havia dito a seus sócios da burocracia do setor público que operacionalizaram o regime totalitário entre os anos 1960 a 1980 (os militares): nos meus comunistas ninguém toca ! Talvez por isso o jornalismo da Rede Globo seja tão contraditório, assim como é o mundo: a heterogeneidade possibilita certos encontros que a homogeneidade impede. A GloboNews está montando uma série sobre Brasil, Rússia, ìndia, China e África do Sul, os BRICS. Essa série é muito interessante e permite-nos construir uma boa imagem sobre a geopolítica após o fim do Stanilismo enquanto aparelho político-estatal, principalmente se considerarmos que os Brics são uma certa síntese da mudança de estratégia operada pela burocracia das relações internacionais brasileiras desde 2003. Vale a pena ver com calma, ao vivo ou online: BRICS . Como meu "grande" salário não permite ter acesso a certos tipos de produtos de bem-estar, então, no meu ca...

Escolha e custo de oportunidade

Há um sem número de palavras, de argumentos, de imagens, que nos ajudam a refletir sobre nós mesmos, sobre o que fazemos e sobre aquilo que ou consideramos como irrelevante, ou que de tão relevante, parece algo incomensurável, inatingível. Buchanan foi uma das pessoas que tiveram muita importância por pensar de forma simples e precisa. Simplicidade não significa irrelevância. De um modo geral, a sofisticação desvia a atenção do que importa. Ele foi uma das pessoas mais importantes do que se chama escola da “Escolha Pública".   Uma corrente muito importante, que pode ser incluída no contexto do neo-institucionalismo e que tem seu foco de ação a explicitação de regras para a economia. Pensamento que justifica, por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal. Outra idéia fundamental é a de custo não como preço, como moeda, mas como o custo que tenho por ter escolhido fazer A e não fazer B, C, D, E, F, etc. Se faço uma coisa, deixo de fazer outra. Então, o custo de fazer A ...

Apropriação da renda nacional

Estou escrevendo parte de minha tese, a parte que fala sobre as mudanças ocorridas no Brasil desde os anos 1950 aproximadamente. Uma coisa interessante que acabei de visualizar, apesar de saber, é a dinâmica de apropriação da renda nacional (PIB na ótica da renda). Sabe-se que o maior problema do Brasil não é inovação, não é competitividade, não é "aumentar o bolo"... No problema localiza-se na parte do "dividir". Os grupos sociais que se apropriam da maior parte da renda produzida e que fica em território nacional (há aquela que volta ao bolso dos investidores estrangeiros)  são quantitativamente pequenos. A concentração de renda é um processo histórica que remonta ao fato de que o Brasil, enquanto criação estatal, produziu certos grupos (inclusive familiares) que tem maior capacidade de se apropriar da riqueza, enquanto a maioria não, talvez por ser composta da mistura de pessoas que sequer tinham alma até certo tempo atrás. Bom, estou num momento de col...

O que vale para você, não vale para mim

Um dos argumentos para justificar a desproporcional capacidade de gerar direitos a si próprio por parte do Estado é a tal "supremacia do interesse público", como Estado e público fossem a mesma coisa. Tal desequilíbrio de direitos implica, obviamente, um desequilíbrio de responsabilização, pois quem coibe o Estado se não o próprio Estado, quer o nacional, quer um estrangeiro ? Os direitos que o arrecadador financeiro do Estado tem sobre os demais é um exemplo, a saúde é um outro. Nessa semana, foi noticiado, mais uma vez, que a Agência Nacional de Saúde proibiu a venda de novos planos de saúde para a população, por parte de algumas empresas que não respeitavam o direito do contratante em ser atendido em um tempo "razoável". O razoável estabelecido pela norma da burocracia que lida com o tema. Por outro lado, o diário carioca "O Globo" de hoje noticia: " O Hospital dos Servidores do Estado (HSE) é a unidade darede federal no Rio com o ...

Boko Haram - Quem são essas pessoas ?

Filhos (netos, talvez) do artifício geopolítico europeu e norte-americano do século XX, com certeza. Mas isso todos sabemos, não ?! Perguntas que sempre são recorrentes: quem financia ?  quem são os fornecedores de armas ?  qual é o contexto local de sua gênese ? Não sei as respostas, é claro. Mas, eis alguns indícios: *) Nigeria as an unfinished history: A note on Boko Haram  http://dailyindependentnig.com/2013/08/nigeria-as-an-unfinished-history-a-note-on-boko-haram/ *) Who are Nigeria's Boko Haram Islamists ? http://www.bbc.com/news/world-africa-13809501 *) Boko Haram Weapons Indicate Islamists Well-Financed http://guardianlv.com/2014/03/boko-haram-weapons-indicate-islamists-well-financed/ *) Boko Haram exploits Nigeria's slow military decline http://www.reuters.com/article/2014/05/09/us-nigeria-military-insight-idUSBREA4809220140509 *) Boko Haram http://www.cfr.org/nigeria/boko-haram/p25739

Demonstracao dos fuzileiros filipinos e Lapu-Lapu

Muito interessante, pois é o que treino semanalmente. É uma demonstração, não um combate real. Além dos fuzileiros filipinos, as crianças nas escolas filipinas também treinam. Estudantes treinando arte marcial filipina. Philippine Marine Corps Martial Arts Progarm (PMCMAP) : https://www.youtube.com/watch?v=L3PehI00Umg ================== Lapu-Lapu. No século XVI, Portugal era o "hegemon" do mercantilismo e do capital financeiro de Veneza. Fernão de Magalhães, ao chegar nas Filipinas, seguindo a tradição de "nomear" e de "dividir para conquistar", designou um líder de uma das ilhas como sendo o dirigente de todas as Filipinas. Isso, obviamente, não foi lá muito bem visto e os potenciais colonizadores portugueses e sua vangarda da Igreja enfrentaram-se com Lapu-Lapu, líder de uma das maiores ilhas do arquipélogo. Fernão de Magalhães foi mortalmente ferido e os portugueses bateram em retirada. Nas Filipinas, Lapu-Lapu é um herói naci...

Trinta anos sem Foucault - um segundo elogio

De 1984 até hoje o mundo mudou em várias coisas e em tantas outras continua igual. O mundo simplista dos pró-URSS ou pró-EUA já não existe mais, se é que a simplicidade não era apenas aparente. Aparência essa determinada pelas ações dos Estados nacionais e dos Estados-partidos. Por outro lado, apesar do mundo bipolar ser relativamente mais simples, por outro, a complexidade atual do mundo não é tão complexa assim, pois os mecanismos básicos de funcionamento da maior parte das sociedades humanas continua o mesmo. Fica mais fácil perceber, hoje, que as ações coordenadas das grandes corporações e dos Estados são algo que constrange, que molda, que conforma a ação de indivíduos difusos ou de pequenas organizações. Ontem a noite estava estudando coisas para o doutorado. Concluí minha releitura de "O nascimento da biopolítica", de Foucault. Iniciei a leitura do livro "O Estado, o poder, o socialismo", de Nicos Poulantzas. Como meu objeto é ação do Est...