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O que vale para você, não vale para mim

Um dos argumentos para justificar a desproporcional capacidade de gerar direitos a si próprio por parte do Estado é a tal "supremacia do interesse público", como Estado e público fossem a mesma coisa.

Tal desequilíbrio de direitos implica, obviamente, um desequilíbrio de responsabilização, pois quem coibe o Estado se não o próprio Estado, quer o nacional, quer um estrangeiro ?

Os direitos que o arrecadador financeiro do Estado tem sobre os demais é um exemplo, a saúde é um outro.

Nessa semana, foi noticiado, mais uma vez, que a Agência Nacional de Saúde proibiu a venda de novos planos de saúde para a população, por parte de algumas empresas que não respeitavam o direito do contratante em ser atendido em um tempo "razoável". O razoável estabelecido pela norma da burocracia que lida com o tema.


Dois pesos, duas medidas. Será que a regra válida para o setor privado não deveria ser a mesma para o setor público ?

Felizmente, meus pais estão vivos. Minha mãe está com problema de circulação, tem varizes, está com a perna inflamada e dolorida e está aguardando na fila para ser atendida pelo SUS no município do Rio de Janeiro. Quando é atendida em um lugar/especialista, é remetida à atenção primária, que tem que remetê-la para outro lugar, etc. E assim o tempo passa e a paciência também.

Não é à toa que os brasileiros mais velhos têm referência no hospital como local para resolução de seus problemas: é um local concentrador de serviços e técnicos, não é necessário sair de um bairro, ir para o outro, aguardar não sei quantos meses, etc.

Há algo de errado, não ?!

E não é só um problema de gestão: não é um problema cognitivo, nem de regras jurídico-administrativas, nem de "vontade política". Se fosse isso, trocar pessoas que sentam em determinadas cadeiras seria suficiente. Pessoas são trocadas, filiações partidárias e escolaridades diversas, mas o problema permanece. A causa está em outro lugar.

Enquanto a sociedade brasileira e sua "inteligência" não formulam uma alternativa, um bom começo mitigatório seria estabelecer as mesmas regras "razoavelmente" válidas para a iniciativa privada, no campo dos serviços públicos. Um bom começo.

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