Pular para o conteúdo principal

Guerrilha contemporânea

Umas poucas linhas que escrevi hoje no portal da associação de minha carreira.
Da série "reflexões profundas e rápidas"... quase que um aforismo, valendo-me de Paul Claval.


******
Paul Claval, importante pesquisador geógrafo, certa vez escreveu as palavras abaixo, que cabem muitíssimo bem ao contexto brasileiro e não só hoje. Para reflexão.

“O sistema de democracia eleitoral funcionou relativamente bem, antes do desenvolvimento dos meios de comunicação modernos. Políticos de hoje vivem de olho nos resultados das pesquisas, o que significa que o processo de negociação e dissuasão tem sido reintroduzido nos períodos em que eles tinham que desaparecer. Em muitos países, os partidos derrotados usam os direitos democráticos para organizar uma guerrilha permanente na vida social e econômica, usando greves e reuniões públicas, ou acontecimentos, como um meio de contestar resultados democráticos de consultas eleitorais.

“Esta é a razão pela qual o estudo da vida política em toda sua dimensão, sua estratégia nacional, mais particularmente, é muito importante.”



Paul Claval, A natureza e o objetivo da geografia política, in É geografia. É Paul Claval, 2013. Editado pela Universidade Federal de Goiás.

---

Talvez, daí, a tal “reforma política”, antes de ser uma alteração focada em quantidades de partidos e sobre se é o Estado quem financiará diretamente as campanhas (sabe-se hoje que parte do financiamento “privado”, na verdade, é público), devesse introduzir mecanismos que reduzissem o sistema de espólio pós-eleitoral e incorporar a população no campo da formulação das políticas (não apenas para legitimar a ação do Estado), tecnologia há para isso; além de institucionalizar os mecanismos de “Lobby”, trazendo à luz, o que se faz às sombras.

*****


Publicado originalmente em http://andeps.org/guerrilha-contemporanea/


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

General Mourão e outros. O caráter autoritário da burocracia latino-americana.

      Peixe morre pela boca diz o velho deitado tomando sua cervejinha à beira-mar; não na prisão, vizinho do beira-mar.      A rejeição a TrumpNaro; a existência botafoguense de TrumpGomes e, atualmente, a focalização sobre o Sr. Mourão, vice, dão-se em boa parte em função de uma característica comum: a verborragia reducionista e simplista.      O simplismo reducionista dito aos quatro ventos denominamos, desde os manuais militares até Lênin e seu partido, agitação. Isso serve para comunicar pouco a muitos. Diferentemente da propaganda, onde se comunica muito a poucos. Se as informações e os conhecimentos transmitidos são corretos, é outra questão. Campanha eleitoral é isso, afora os acordos que ninguém explicita.     O Sr. Mourão é um exemplo típico do que na literatura chamou-se de “tendência autoritária da burocracia latino-america” e nós, apesar de não nos importamos muito com os vizinhos e ...

AIKIDO, algumas palavras sobre (parte 1 de 2)

Kokyu nage Comecei a treinar Aikido, arte marcial japonesa moderna, em 2005. Ou terá sido em 2004 ?  Não sei bem. Nesse contexto, 9 ou 10 anos de treino não faz muita diferença. Treinar Aikido fez parte de um processo mais amplo em relação a minha vida pessoal: ter filhos, parar de fumar, reduzir a ansiedade, externalizar minha agressividade, etc. Minha primeira aula, experimental, foi na UnB, no Dojo da Faculdade de Educação Física. Sensei Nelson estava liderando o treino. Cheguei e já no aquecimento pensei em desistir, pois dos movimentos era andar ajoelhado: Shiko. Movimento que nenhum ocidental faz em seu quotidiano, salvo algum problema anatômico ou funcional. Não desisti. Apesar de feito minha primeira aula na UnB ( local onde ensina-se Aikido há 25 anos ), por questões de compatibilidade de horário, resolvi ir treinar no Aizen Dojo, que à época era parte do mesmo grupo liderado por Shikanai Sensei . Ao longo do tempo, fui treinar na UnB, onde treino até ho...