Creio que o mal estar que sinto todos os meses, graças à experiência social-administrativista da qual faço parte tem-me feito perceber outros mal estares apresentados em discursos bem estruturados.
Lembro-me do texto fundamental de Freud, o Mal-estar na civilização: uma narrativa sobre a vida humana. Se humana, só possível em sociedade; o implica custos individuais diversos. Esse texto foi escrito no clima mundial das vésperas da, talvez, primeira crise financeira mundial, decorrida da quebra da bolsa de valores de Nova Iorque.
Freud assim começa seu texto:
É impossível fugir à impressão de que as pessoas comumente empregam falsos padrões de avaliação – isto é, de que buscam poder, sucesso e riqueza para elas mesmas e os admiram nos outros, subestimando tudo aquilo que verdadeiramente tem valor na vida. No entanto, ao formular qualquer juízo geral desse tipo, corremos o risco de esquecer quão variados são o mundo humano e sua vida mental. Existem certos homens que não contam com a admiração de seus contemporâneos, embora a grandeza deles repouse em atributos e realizações completamente estranhos aos objetivos e aos ideais da multidão. Facilmente, poder-se-ia ficar inclinado a supor que, no final das contas, apenas uma minoria aprecia esses grandes homens, ao passo que a maioria pouco se importa com eles. Contudo, devido não só às discrepâncias existentes entre os pensamentos das pessoas e as suas ações, como também à diversidade de seus impulsos plenos de desejo, as coisas provavelmente não são tão simples assim.
Trabalhei durante algum tempo na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, na época em que o Sr. Reinaldo Guimarães desempenhou o papel de secretário. Há algumas semanas atrás, deparei-me com um texto dele chamado O mal estar na saúde pública.
O texto, produzido quando de sua titulação como Doutor Honoris Causa na Universidade Federal da Bahia, é muitíssimo interessante. Vale a pena ser lido com calma.
Continuando e generalizando mais ainda essa sensação, entrou para minha lista de leitura o texto Mal-estar no pós-neoliberalismo. Texto feito a múltiplas mãos por Jamie Peck, Nik Theodore e Neil Brenner. Os autores fazem uma abordagem valiosa sobre o mundo que vivemos desde 2008.
Retomando Freud, o último parágrafo do mal-estar por ele descrito em 1929 é este:
A questão fatídica para a espécie humana parece-me ser saber se, e até que ponto, seu desenvolvimento cultural conseguirá dominar a perturbação de sua vida comunal causada pelo instinto humano de agressão e autodestruição. Talvez, precisamente com relação a isso, a época atual mereça um interesse especial. Os homens adquiriram sobre as forças da natureza um tal controle, que, com sua ajuda, não teriam dificuldades em se exterminarem uns aos outros, até o último homem. Sabem disso, e é daí que provém grande parte de sua atual inquietação, de sua infelicidade e de sua ansiedade. Agora só nos resta esperar que o outro dos dois ‘Poderes Celestes’ ver [[1]], o eterno Eros, desdobre suas forças para se afirmar na luta com seu não menos imortal adversário. Mas quem pode prever com que sucesso e com que resultado ?
Para tentar escapar ou mitigar o mal-estar, eis uma entrevista com o pesquisador David Harvey: https://www.youtube.com/watch?v=jPp_TNbN-LQ
Lembro-me do texto fundamental de Freud, o Mal-estar na civilização: uma narrativa sobre a vida humana. Se humana, só possível em sociedade; o implica custos individuais diversos. Esse texto foi escrito no clima mundial das vésperas da, talvez, primeira crise financeira mundial, decorrida da quebra da bolsa de valores de Nova Iorque.
Freud assim começa seu texto:
É impossível fugir à impressão de que as pessoas comumente empregam falsos padrões de avaliação – isto é, de que buscam poder, sucesso e riqueza para elas mesmas e os admiram nos outros, subestimando tudo aquilo que verdadeiramente tem valor na vida. No entanto, ao formular qualquer juízo geral desse tipo, corremos o risco de esquecer quão variados são o mundo humano e sua vida mental. Existem certos homens que não contam com a admiração de seus contemporâneos, embora a grandeza deles repouse em atributos e realizações completamente estranhos aos objetivos e aos ideais da multidão. Facilmente, poder-se-ia ficar inclinado a supor que, no final das contas, apenas uma minoria aprecia esses grandes homens, ao passo que a maioria pouco se importa com eles. Contudo, devido não só às discrepâncias existentes entre os pensamentos das pessoas e as suas ações, como também à diversidade de seus impulsos plenos de desejo, as coisas provavelmente não são tão simples assim.
Trabalhei durante algum tempo na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, na época em que o Sr. Reinaldo Guimarães desempenhou o papel de secretário. Há algumas semanas atrás, deparei-me com um texto dele chamado O mal estar na saúde pública.
O texto, produzido quando de sua titulação como Doutor Honoris Causa na Universidade Federal da Bahia, é muitíssimo interessante. Vale a pena ser lido com calma.
Continuando e generalizando mais ainda essa sensação, entrou para minha lista de leitura o texto Mal-estar no pós-neoliberalismo. Texto feito a múltiplas mãos por Jamie Peck, Nik Theodore e Neil Brenner. Os autores fazem uma abordagem valiosa sobre o mundo que vivemos desde 2008.
Retomando Freud, o último parágrafo do mal-estar por ele descrito em 1929 é este:
A questão fatídica para a espécie humana parece-me ser saber se, e até que ponto, seu desenvolvimento cultural conseguirá dominar a perturbação de sua vida comunal causada pelo instinto humano de agressão e autodestruição. Talvez, precisamente com relação a isso, a época atual mereça um interesse especial. Os homens adquiriram sobre as forças da natureza um tal controle, que, com sua ajuda, não teriam dificuldades em se exterminarem uns aos outros, até o último homem. Sabem disso, e é daí que provém grande parte de sua atual inquietação, de sua infelicidade e de sua ansiedade. Agora só nos resta esperar que o outro dos dois ‘Poderes Celestes’ ver [[1]], o eterno Eros, desdobre suas forças para se afirmar na luta com seu não menos imortal adversário. Mas quem pode prever com que sucesso e com que resultado ?
Para tentar escapar ou mitigar o mal-estar, eis uma entrevista com o pesquisador David Harvey: https://www.youtube.com/watch?v=jPp_TNbN-LQ
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