Pular para o conteúdo principal

neoliberalismo e capital social

Interessante notar que, conforme apontado por Foucault, o neoliberalismo tinha que resolver um problema relacionado ao trabalho.

Os fisiocratas e também Marx lidaram com o trabalho como uma abstração redutível ao tempo: no raciocínio econômico o trabalho é igual ao tempo gasto para se produzir um bem.

Apesar de Marx atribuir um papel fundamental ao trabalho na produção do homem enquanto um animal social, político, racional, também ele reduz o trabalho à quantidade de tempo de trabalho mecânico/muscular para transformar A em B.

A elaboração do conceito de "capital social" feita no campo do neoliberalismo é uma tentativa de superar a abstração  trabalho igual a tempo de trabalho para transformar A em B. Num mundo onde a concorrência entre indivíduos e organizações é o centro, é necessário que o indivíduo que trabalha possua atributos que os diferenciem uns dos outros, não apenas sua energia mecânica transformada em tempo.

Então, conhecimentos, formas de relacionamento interpessoais, entre outros atributos tornam-se o "capital" que cada indivíduo dispõe para concorrer com os demais indivíduos, diferenciando-se de forma a obter maior renda.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

General Mourão e outros. O caráter autoritário da burocracia latino-americana.

      Peixe morre pela boca diz o velho deitado tomando sua cervejinha à beira-mar; não na prisão, vizinho do beira-mar.      A rejeição a TrumpNaro; a existência botafoguense de TrumpGomes e, atualmente, a focalização sobre o Sr. Mourão, vice, dão-se em boa parte em função de uma característica comum: a verborragia reducionista e simplista.      O simplismo reducionista dito aos quatro ventos denominamos, desde os manuais militares até Lênin e seu partido, agitação. Isso serve para comunicar pouco a muitos. Diferentemente da propaganda, onde se comunica muito a poucos. Se as informações e os conhecimentos transmitidos são corretos, é outra questão. Campanha eleitoral é isso, afora os acordos que ninguém explicita.     O Sr. Mourão é um exemplo típico do que na literatura chamou-se de “tendência autoritária da burocracia latino-america” e nós, apesar de não nos importamos muito com os vizinhos e ...

AIKIDO, algumas palavras sobre (parte 1 de 2)

Kokyu nage Comecei a treinar Aikido, arte marcial japonesa moderna, em 2005. Ou terá sido em 2004 ?  Não sei bem. Nesse contexto, 9 ou 10 anos de treino não faz muita diferença. Treinar Aikido fez parte de um processo mais amplo em relação a minha vida pessoal: ter filhos, parar de fumar, reduzir a ansiedade, externalizar minha agressividade, etc. Minha primeira aula, experimental, foi na UnB, no Dojo da Faculdade de Educação Física. Sensei Nelson estava liderando o treino. Cheguei e já no aquecimento pensei em desistir, pois dos movimentos era andar ajoelhado: Shiko. Movimento que nenhum ocidental faz em seu quotidiano, salvo algum problema anatômico ou funcional. Não desisti. Apesar de feito minha primeira aula na UnB ( local onde ensina-se Aikido há 25 anos ), por questões de compatibilidade de horário, resolvi ir treinar no Aizen Dojo, que à época era parte do mesmo grupo liderado por Shikanai Sensei . Ao longo do tempo, fui treinar na UnB, onde treino até ho...