Pular para o conteúdo principal

Postagens

Guerrilha contemporânea

Umas poucas linhas que escrevi hoje no portal da associação de minha carreira. Da série "reflexões profundas e rápidas"... quase que um aforismo, valendo-me de Paul Claval. ****** Paul Claval, importante pesquisador geógrafo, certa vez escreveu as palavras abaixo, que cabem muitíssimo bem ao contexto brasileiro e não só hoje. Para reflexão. “O sistema de democracia eleitoral funcionou relativamente bem, antes do desenvolvimento dos meios de comunicação modernos. Políticos de hoje vivem de olho nos resultados das pesquisas, o que significa que o processo de negociação e dissuasão tem sido reintroduzido nos períodos em que eles tinham que desaparecer. Em muitos países, os partidos derrotados usam os direitos democráticos para organizar uma guerrilha permanente na vida social e econômica, usando greves e reuniões públicas, ou acontecimentos, como um meio de contestar resultados democráticos de consultas eleitorais. “Esta é a razão pela qual o estudo da vida p...

Eleições gregas, Europa e capacidade de cooperação e coordenação

Eis que o partido-frente Syriza ganhou as eleições Gregas de 25/01/2015, apesar do terrorismo político dos atores ligados aos mercados financeiros. O resultado eleitoral é expressado da seguinte forma na composição do parlamento grego:  Provavelmente a sinalização de mudança na política fiscal européia , apontando para uma menos restritiva, apresentada na semana passada, por meio do "pacote" de ajuda, já é uma adequação a um cenário político onde os principais quadros políticos nacionais desta geração não estão lá muito acostumados: negociarem com pessoas sustentadas por uma população com sentimentos de mudança à esquerda, assim como vive a América Latina há alguns anos. Os vencedores, rotulados de "esquerda radical", numa postura extremamente pragmática e "não-radical", já fizeram um acordo com um pequeno grupo de direita, que apoia mudanças econômicas, para garantir a maioria e a capacidade política de governar durante um tempo. Provavelmente ...

Capital internacional no sistema de saúde brasileiro

No dia 20/01/2015, foi publicada uma alteração na principal lei que estrutura o sistema nacional de saúde brasileiro. A alteração permite a participação direta do capital internacional no sistema. Digo direta, pois indireta já há e muita, via fármacos, reagentes, hardwares e softwares para diagnósticos, entre outros. A lei 8080 de 1990 passa a ter a seguinte redação nos artigos 23 e 53: Art. 23. É permitida a participação direta ou indireta, inclusive controle, de empresas ou de capital estrangeiro na assistência à saúde nos seguintes casos: I - doações de organismos internacionais vinculados à Organização das Nações Unidas, de entidades de cooperação técnica e de financiamento e empréstimos; II - pessoas jurídicas destinadas a instalar, operacionalizar ou explorar: a) hospital geral, inclusive filantrópico, hospital especializado, policlínica, clínica geral e clínica especializada; e b) ações e pesquisas de planejamento familiar; III - serviços de saúde mantidos...

Tudo é muito fácil quando os recursos não são tão escassos.

Volta das férias.  De duas semanas de praia no forno que estava o Rio de Janeiro, de volta para o deserto: quando chegamos (eu e as crianças), a secura até que não estava tão intensa, havia 48% de umidade relativa do ar. Quando ainda estava no RJ, nacionalmente começou a reverberar a "crise" do Governo do Distrito Federal. Crise esta que pode ser resumida a uma pergunta: onde está o dinheiro ? No Brasil, a não tão pequena fração do território nacional que contém a cidade cujo papel político é conter a capital política e administrativa do país não é um território administrado pela própria União para que sua sede funcione da melhor maneira possível. O Distrito Federal (DF) brasileiro é um ente federado, digamos, sui generis, assim como o é a própria federação brasileira. O DF é estado e município simultaneamente. Tais características deveriam fazer do DF um lugar onde o quê não pode haver é falta de dinheiro para os que administram a organização social chamada Estad...

Barbas de molho não fazem mal a ninguém - feliz 2015 !

Eis o que o pessoal do Google / Boston Dynamics (ou Skynet ?) anda fazendo com seu robô humanoide chamado ATLAS. Quando eles resolverem o problema do barulho e da autonomia do motor... será um ótimo soldado, não ?! a) https://www.youtube.com/watch?v=UH0k2hFHzyc b) https://www.youtube.com/watch?v=ZG2gGIbtkAk c) https://www.youtube.com/watch?v=Yz_SkfFqLPM d) https://www.youtube.com/watch?v=0ZjIrsAu21s E o LS3 sendo testado em terreno acidentado: https://www.youtube.com/watch?v=5FFkDV2NKEY Um pouco de “barbas de molho”, uma dose homeopática de paranoia, não faz mal a ninguém...   Olho vivo, pois isso é o que é público. Obviamente que há a parte que não é pública.  Isso sem falar do BIOHACKING, mas isso é outra história, paralela, mas outra. Feliz 2015 !!  

L’actualité et Michel Foucault

De Claude Raffestin, autor de "Por uma geografia do poder" e outros textos importantes: L’un des grands mérites de Foucault, parmi beaucoup d’autres, a été de suggérer des questions, des questions innombrables dont certaines n’ont toujours pas reçu de réponses satisfaisantes. Un peu plus de vingt ans après sa disparition, il est encore parmi nous, avec les questions qui parsèment son œuvre ou qui sont suscitées par elle. Pour le dixième anniversaire de sa mort, j’avais rédigé un texte intitulé « Foucault aurait-il pu révolutionner la géographie’ » (Raffestin, 1997). Il y avait déjà un point d’interrogation comme il y en a toujours eu depuis, chaque fois que j’ai parlé de Foucault, et aujourd’hui encore à propos de l’actualité. Comme l’a bien montré François Ewald dans « Foucault et l’actualité » (Ewald, 1997, p. 203), il s’agit non seulement de l’actualité de la pensée de Foucault, mais encore de son rapport à l’actualité. Les deux choses sont, en fait, beaucoup...

PETROBRÁS(X) E A INOCÊNCIA, O ORGULHO.

Essa história envolvendo a Petrobrás, ex-futura-petrobraX, tem uma faceta interessante. Nunca antes na história deste país - perco o amigo, mas não perco a piada -, evidencia-se que o mecanismo de troca econômica que é moralmente chamada de "corrupção", tem dois lados, como toda troca. Não há "meinha" unilateral. Há o corrupto, o Estado, a pessoa-profissional, que deveria ser a santa-imaculada; mas também há o outro lado. O lado de quem ganha com os contratos. O lado de que o dinheiro para o suburno é meramente parte do custo da operação. Melhor, em termos neo-institucionalistas: um dos custos de transação. Sinceramente espero que as pessoas que se dedicam especificamente à História, debrucem-se sobre a gênese das grandes empresas "nacionais", quase todas empreiteiras, não por coincidência. Propriedade privada e Estado, no caso particular do Brasil, são quasi-sinônimos. Os que se vangloriam com Brasília, com o quadrilátereo e seu conteúdo, deveriam olhar p...